domingo, 17 de maio de 2026

Contra o sono da consciência

Não caminhes com os que te adormecem, 
Com os que te oferecem o aplauso fácil, 
O consenso raso, 
O abrigo da mediocridade. 

Andar com quem te desafia 
É escolher o desconforto da lucidez, 
É aceitar o espelho sujo que te lançam ao rosto, 
É ter a coragem de olhar para dentro 
E não gostar do que vê… 
Ainda assim, prosseguir. 

Existe uma vertigem própria 
Para os que ousam pensar, 
Uma solidão que queima 
E uma liberdade que pesa. 
Mas é nela que o ser se refaz, 
Rasgando as vestes da ignorância herdada, 
Negando o eco das vozes coletivas 
Que apenas repetem, sem saber o porquê. 

Cúmplice da ignorância? 
Jamais. 
Antes o silêncio lúcido, 
Antes o exílio da aceitação fácil, 
Antes o risco de ser estranho, 
Incompreendido, 
Solitário… 
Mas íntegro. 

Porque crescer é arder. 
É morrer para o que fomos, 
E renascer, 
Sem garantias, 
Sem roteiro, 
Sem rede. 
Por fim, nessa trajetória, 
Que reste ao menos a dignidade 
De não ter feito parte do coro dos adormecidos. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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