Era apenas uma sucessão de corredores
Onde o relógio respirava com dificuldade
E cada porta guardava
Uma versão inacabada do passado.
Procurei por você,
Mas encontrei vitrines vazias,
Janelas acesas por hábitos antigos
E o rumor de vozes
Que já não pertenciam a ninguém.
Havia uma praça,
Não um lugar,
Mas uma pausa entre duas lembranças.
As árvores pareciam conhecer
O peso invisível das escolhas.
Então compreendi
Que a ausência não era um espaço,
Mas uma forma de medir o tempo.
O que chamamos de perda
É também a sombra daquilo que nos constituiu.
Quando a primeira luz atravessou o horizonte,
Nada havia sido resolvido.
Ainda assim continuei caminhando,
Porque alguns caminhos
Existem apenas enquanto alguém os percorre.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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