quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Nas horas em que a noite não responde

 A noite não se abriu diante de mim. 
Era apenas uma sucessão de corredores 
Onde o relógio respirava com dificuldade 
E cada porta guardava 
Uma versão inacabada do passado. 
 
Procurei por você, 
Mas encontrei vitrines vazias, 
Janelas acesas por hábitos antigos 
E o rumor de vozes 
Que já não pertenciam a ninguém. 
 
Havia uma praça, 
Não um lugar, 
Mas uma pausa entre duas lembranças. 
As árvores pareciam conhecer 
O peso invisível das escolhas. 
 
Então compreendi 
Que a ausência não era um espaço, 
Mas uma forma de medir o tempo. 
O que chamamos de perda 
É também a sombra daquilo que nos constituiu. 
 
Quando a primeira luz atravessou o horizonte, 
Nada havia sido resolvido. 
Ainda assim continuei caminhando, 
Porque alguns caminhos 
Existem apenas enquanto alguém os percorre. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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