sexta-feira, 7 de abril de 2023

O caminho do ardente prazer

Preciso confessar neste momento 
Meu coração bate depressa 
Totalmente descompassado 
Ao sentir tua presença 
E o seu perfume tão sublime. 
 
Meu corpo todo arrepia 
A pulsação acelera de forma muito louca 
A respiração fica em descompasso 
Enquanto o teu odor me inebria 
Atiçando todos os meus desejos. 
 
No desejo louco de tocar-te 
A minha cabeça rodopia 
E minha mente não tem sossego 
Enquanto observo o seu despir sedutor 
Sob a penumbra de um aconchego. 
 
O caminho ardente do prazer 
Abre-se diante de meus olhos atônitos 
Com tamanha beleza indescritível 
Que nem nos melhores sonhos tivera 
E desejo-te por inteira. 
 
Talvez seja apenas uma miragem 
A porta da fantasia que se abre 
O sonho mais real de todos 
É ter você diante de mim bem disposta 
A viver o amor mais bonito de todos. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 6 de abril de 2023

A fúria dos deuses

Sangue espargido pelas pedras 
Espalhadas pelas campinas 
Totem erguido até as nuvens 
Símbolos desconhecidos pelos olhos 
Bezerro feito de ouro e joias 
Retirados do nariz e orelhas 
De pessoas que se curvam cegamente. 

O totem que simboliza a paz 
Coberto de sangue dos vencidos 
Enquanto Ares se cobre com a pele dos homens 
Que perderam suas vidas nas batalhas 
E nos palácios ouvem-se 
Risadas estridentes de reis que celebram, 
Regados de vinhos, 
As vitórias que não travaram 
E, nas areias escaldantes do deserto, 
Corpos de soldados apodrecem 
Servindo de banquete para os abutres. 

Os deuses se divertem 
Na sua ambição desejam o louvor 
E não tem coragem de sair de seus esconderijos 
Por isso brincam com as guerras humanas 
E com o sangue esparramados pelo chão. 

Onde estão os que pensam sobre isso? 
Os intelectuais que podem combater 
A fúria dos deuses 
E os mandar de volta para o limbo existencial 
Apenas afirmando que não passam de miragem 
Porque nenhum deles seriam alguma coisa 
Sem a devoção infundada dos seres humanos. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 5 de abril de 2023

Às crianças de Blumenau

Não há palavras neste momento de tamanha dor 
Que seja capaz de explicar essa barbárie 
Como um pai ou mãe pode esquecer 
 O rostinho angelical do filho que levou a creche 
Mas que não pode mais vê-lo com vida 
Porque foi ceifada com tamanha crueldade. 

A dor e o desespero que toma conta 
É uma angústia que não desejamos para ninguém 
Crianças indefesas e inocentes assim 
Jamais poderiam pagar pela psicopatia humana 
E deveriam ter a oportunidade de viverem 
Porque a vida é o bem mais precioso que existe. 

Que Deus possa confortar os corações 
De todos aqueles que foram massacrados nesse dia 
Só as misericórdias do Senhor para consolar 
Porque não iremos nunca entender como isso é possível 
Como isso acontece em nossa sociedade. 

O coração sangra em dor 
Não consegue ver além das nuvens cinzentas da morte 
Que ceifa vidas tão inocentes 
Anjos que agora estão nos braços do Criador 
Onde estarão aguardando o reencontro com seus pais 
Na esperança de consolá-los de tudo isso. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Você que ocupa todos os espaços

Olhe bem em meus olhos e veja 
Há um sentimento em mim 
Puro e verdadeiro 
Que extrapola toda a razão 
Que faz você estar em meu coração. 

Pegue em minhas mãos e sinta 
O palpitar do meu coração por você 
Você que está nos meus pensamentos 
Que causa em mim a melhor sensação 
Da qual não consigo esquecer. 

Deixa-me viver esse amor 
Que encontrei no seu lindo olhar 
Ao revelar-me o seu coração 
Permita-me sentir essa magia inexplicável 
E viver o sonho tão real em mim. 

Você que tens o encanto no olhar 
Que faz o mundo ser mais bonito 
Através do seu singelo sorriso 
Conseguiu fazer morada no meu coração 
Através da sua tão meiga simpatia. 

Eu fecho os olhos para sonhar 
E contemplo você nos meus pensamentos 
Você que ocupa todos os espaços 
Que transforma o dia mais cinzento 
Em momentos de pura felicidade. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 4 de abril de 2023

Confusão nas cabeças perdidas

 Onde estão as bases de todo um saber?
Das ideologias de quem deseja acreditar 
Que possa haver novas ideias 
De coisas que não possam esquecer 
Juventude perdida em um curto espaço de tempo 
Presos nas ciladas temporais 
Por causa de escolhas banais sem sentidos. 
 
Política, sociedade e religião 
Confusão nas cabeças perdidas 
Cada um defende o seu direito ao deserto 
Como se fosse algo perturbador 
Que assustasse de tal maneira a imaginação 
Onde cada um se safa a sua maneira. 
 
Como bandos de cachorros selvagens 
Perambulando pelas ruas cheias de lixo 
Sem orientação e, também, sem razão alguma 
Jovens envolvidos com os entorpecentes 
Desviados de suas rotas naturais 
Que se perdem em meio as emoções feridas. 
 
Essa turba que por ai marcham 
Envoltos em suas fúrias incontidas 
Precisam esquecer a sua angústia 
De que ninguém lhe dá a devida importância 
E, na verdade, isso não importa mesmo 
Porque a maioria estão fadados ao fracasso 
Esquecidos pelas mentes brilhantes. 
 
Por acaso alguém tem razão em reclamar 
Do que acontece com a humanidade? 
Se todos são culpados das piores atrocidades 
Ninguém pode reclamar para si a inocência 
Porque não há ninguem inocente nesta vida 
Quando morrem perdem-se com os demais. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 3 de abril de 2023

Os poetas ensinam a ver

É preciso ter olhos de poetas 
Olhos de poetas são capazes de ver 
Ver o que os outros olhos não veem 
E, ao ver coisas diferentes, 
Constroem-se lindas melodias 
Novas canções 
Além da imaginação 
Além do que os olhos podem ver 
A mente pode sonhar 
O coração desejar 
Porque os olhos dos poetas 
São espaçonaves para o infinito 
Onde nada é tão estranho 
Quanto aos sonhos mais imperfeitos 
Que podemos ter. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Quem sabe eu possa falar com as flores

Quem sabe eu possa falar com as flores 
Poderia ouvi-las dizer o que sentem 
Porque ainda pensam em você 
Mesmo sabendo que não voltará 
Que não haverá outras manhãs. 

Eu poderia até tentar entendê-las 
Mas não consigo nem pensar direito 
O coração está tão vazio 
Que nem mesmo os pensamentos conseguem 
Evitar as incertezas dessa ausência. 

Busco entre as flores do jardim 
Uma explicação que possa acalmar o coração 
Que possa deixar claro que sempre há um fim 
E, quem sabe, isso seria o suficiente 
Para dar-me novas esperanças neste mundo. 

As flores, no entanto, estão em silêncio 
Nem elas sabem exatamente o que aconteceu 
Acostumadas a vê-la todos os dias 
Deslumbravam-se com sua singela beleza 
E sentiam ciúmes da flor mais linda de todas. 

Agora tudo é silêncio no jardim 
Pássaros e borboletas respeitam o tempo 
O vento escondeu-se nas montanhas 
E as flores sabem que você não retornará 
Enquanto eu caminho por entre elas. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 2 de abril de 2023

Talvez eu escreva um poema

Ao ver você partir 
Deixando comigo a saudade 
Senti a tristeza invadir minha alma. 
Sentirei falta de ver você sorrir 
E de sentir a felicidade 
Que na minha vida trazia calma. 
Mas, se você não mais aparecer 
Talvez eu escreva um poema 
Que traduza minha vontade de outra vez te ver. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 1 de abril de 2023

Entorpecimento

Mente vazia é oficina de demônios 
O vazio é um vírus que corrói 
Mentes ocas são infectadas 
Se o vírus é um parasita 
E só as palavras podem resolver 
Arrancar a mediocridade 
Extirpar a ignorância. 

Precisamos eliminar o vazio 
Não permitir os espaços em branco 
Palavras escritas devem quebrar o gelo 
Marretas pesadas no cérebro 
Para eliminar o vazio existencial 
Que permanece impregnado no sistema 
Controlando tudo com seus grilhões. 

Só passaremos pelo mundo uma vez 
E ficará apenas o nada de nós 
O vazio existencial de uma vida 
Que não teve sentido algum? 

Esse é o desmascaramento espiritual 
O exorcismo dos demônios 
A expulsão da ignorância 
E a liberdade do pensamento. 

Arranque dos olhos os óculos poluídos 
Não se pode enxergar as coisas íntimas 
Nem visualizar a pseudo salvação 
Detrás das cortinas de púrpura 
Estendidas nas fronteiras ideológicas 
Quando não sinceridade nos pensamentos 
O entorpecimento é mais real 
Muito mais do que a imaginação. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 31 de março de 2023

Se eu apenas deixasse de acreditar

Se as minhas dúvidas não fossem tão inquietantes 
E eu apenas deixasse cair pelo chão 
Não olhasse para os altares destruídos 
Os restos mortais de adorações passadas 
Quem sabe eu seria uma tanto mais feliz. 

Se as minhas dúvidas se afastassem de mim 
Quando deito-me para descansar 
E voassem para bem longe nas primeiras nuvens 
Fossem levadas pelo vento oriental 
Quem sabe eu não teria 
Tantas perguntas por fazer. 

Se minhas raízes não fossem tão profundas 
E não pudesse sustentar-me nas tempestades 
Não suportaria tamanhas afrontas 
Dos que não sabem nem mesmo o caminho a seguir 
Quem sabe eu poderia dormir tranquilo. 

Se eu apenas deixasse de acreditar 
Que o mundo não é um lugar tão inóspito 
Eu poderia correr pelas montanhas 
Gritando ao mundo a minha felicidade 
Por livrar-me de todas as amarras 
Que me prenderam até este momento. 

Se eu pudesse abafar o eco da minha alma 
Que reage explicitamente contra meus pensamentos 
Os mesmos que tento de todas as formas esconder 
Eu poderia caminhar livremente pela terra 
Apenas ouvindo o som silencioso da esperança. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nos olhos de quem vê

Onde há amor incondicional 
Não há espaço para a tristeza; 
Nos olhos de quem vê a alegria 
Sempre estará presente a beleza! 

 Trova: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 30 de março de 2023

Noite de triste solidão

Exaspero-me na penumbra vazia 
Onde parece existir monstros escondidos 
Na escuridão do quarto vazio 
Quando na verdade são apenas vultos 
Fantasmas de minha triste solidão. 
 
Tateio o aro como se pudesse tocar o vento 
E não encontro nada além do vazio 
O silêncio é tão sepulcral 
Que não consigo ouvir nem mesmo os grilos 
Enquanto minha alma é dilacerada. 
 
Faz horas que tento dormir 
Quem sabe assim eu poderia esquecer 
Mas não consigo nem mesmo fechar os olhos 
Sem ver o vulto ameaçador da solidão 
Que vem silenciosamente me abraçar. 
 
Suas garras são afiadas e fere a alma 
Sua palidez é tão fria como o gelo 
Que sinto tanto medo como imaginava 
Quando você ainda estava aqui comigo 
Que sentiria se não permanecesse. 
 
 Nem mesmo o brilho de luzes distantes 
Podem revelar a direção de teus passos 
E sei que meu destino é sofrer com a ausência 
E tentar sobreviver mais uma noite 
Apenas mais uma noite triste de solidão. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

A vida é um campo de batalha

Passar o dia todo sentado 
Sem fazer nada 
Nada resolve a sua vida 
Que passa a ser um vazio existencial 
Sem sentido de viver. 

Para que serve o tempo livre 
Se você não souber aproveitá-lo 
Com olhos e ouvidos de poeta? 
Aprenda a extrair o melhor 
Que cada dia possa oferecer a você. 

Observe o mundo a sua volta 
Assimile a essência da vida 
Aprecie o silêncio de uma manhã 
Vislumbre o colorido do por do sol 
Compreenda o seu lugar no universo. 

 A vida é um campo de batalha 
Onde não podemos ficar inertes 
Como indivíduos lutamos para sobreviver 
E dentro de nós existe um sofrer 
Mas também uma esperança de viver. 

 Aproveite melhor o seu tempo 
Faça a sua vida valer a pena 
Desperte do sono existencial 
Saia da zona de conforto 
E viva a vida com entusiasmo e alegria. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 29 de março de 2023

Não consigo mais esquecer

A paixão que nasceu em mim 
Tão profunda e ardente 
Me fez pensar tanto assim 
Em um amor entre a gente. 

Nos seus olhos eu vi a beleza 
Que invadiu o meu coração 
Nesse instante tive certeza 
De que nascia em mim essa paixão. 

Agora só sei em você pensar 
Fecho os olhos e vejo seu sorriso 
A magia tão singela do seu olhar 
E sei que é tudo o que preciso. 

Não consigo mais esquecer 
O seu olhar encantador 
Seu sorriso fez em mim renascer 
A essência do mais puro amor. 

Com você fico o tempo todo sonhando 
No meu coração um singelo sentimento 
E nessa jornada vou caminhando 
Levando-te comigo no pensamento. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 28 de março de 2023

As dores do mundo em mim

Eu não sei quanto a você 
Mas eu já me senti perdido 
Sem saber exatamente o que estou a fazer aqui 
Já tive vontade sumir do mundo 
Esconder-me em algum lugar 
Onde ninguém pudesse me encontrar 
E lá viver o resto de meus dias 
Longe das preocupações 
Que perturbam minha mente o tempo todo. 

Eu já pensei que as pessoas que vivem perto de mim 
São mais felizes do que eu 
 Simplesmente porque não pensam tanto sobre a vida 
Como eu faço o tempo todo 
 E isso me corrói por dentro 
Eu queria apenas caminhar 
Sem ter esses pensamentos ruins 
Quando na verdade eu nem mesmo sei se são ruins assim 
Afinal, a humanidade tem os seus percalços 
E suas angústias 
E ninguém há que saiba 
Exatamente o que o outro está passando 
Porque cada um de nós 
Temos a nossa cota de sofrimento neste planeta. 

Mas, eu gosto de pensar e ficar horas e horas neste tormento 
 Que me leva a diferentes lugares 
Olho os rostos das pessoas 
E tento imaginar o que se passa em cada coração 
O que as perturbam 
O que as incomodam 
E isso é um exercício fútil 
Porque não temos condições de saber nada disso. 

Então volto ao princípio de tudo e percebo 
Que não posso mudar a minha essência 
E pensar faz parte da minha vida 
Se sofro por causa disso é uma escolha que fiz 
E prefiro mil vezes sofrer assim do que ser feliz na ignorância 
Por isso caminho olhando firme o horizonte 
E deixarei palavras que serão lidas por alguém que também 
Carrega em si as dores do mundo. 

Essa é a minha reflexão de hoje 
A angústia que compartilho com quem vive 
No mesmo mundo em que estou caminhando 
Vendo as coisas de uma forma diferente 
Do que os meus olhos contemplam 
E está tudo bem ser assim 
Porque a vida é cheia de detalhes 
Das quais nunca ou quase nunca percebemos. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense