O riso manso depois da tempestade,
Um nome escrito dentro da alma cansada,
A doce permanência da saudade,
Meu abrigo secreto na jornada.
Tu és o sentimento que não cessa,
Mesmo quando o silêncio faz morada,
Como um rio antigo que atravessa
As ruínas da esperança abandonada,
E ainda assim floresce em delicadeza.
Tem tua presença em cada dia lento,
Nos gestos simples da manhã vazia,
No vento que atravessa o pensamento
E deixa ecos de melancolia,
Misturados ao perfume do momento.
Saudade é tua sombra sobre o peito,
Não como dor, mas chama persistente,
Um coração guardando, satisfeito,
A memória de um amor tão presente
Que transformou ausência em jeito.
Tu és minha alegria mais serena,
Meu verso oculto, minha calmaria,
A lembrança que no tempo não apequena,
Pois mesmo longe habitas minha poesia
Como estrela eterna sobre a cena.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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