segunda-feira, 18 de maio de 2026

Minha alegria mais serena

Tu és a luz que invade a madrugada, 
O riso manso depois da tempestade, 
Um nome escrito dentro da alma cansada, 
A doce permanência da saudade, 
Meu abrigo secreto na jornada. 

Tu és o sentimento que não cessa, 
Mesmo quando o silêncio faz morada, 
Como um rio antigo que atravessa 
As ruínas da esperança abandonada, 
E ainda assim floresce em delicadeza. 

Tem tua presença em cada dia lento, 
Nos gestos simples da manhã vazia, 
No vento que atravessa o pensamento 
E deixa ecos de melancolia, 
Misturados ao perfume do momento. 

Saudade é tua sombra sobre o peito, 
Não como dor, mas chama persistente, 
Um coração guardando, satisfeito, 
A memória de um amor tão presente 
Que transformou ausência em jeito. 

Tu és minha alegria mais serena, 
Meu verso oculto, minha calmaria, 
A lembrança que no tempo não apequena, 
Pois mesmo longe habitas minha poesia 
Como estrela eterna sobre a cena. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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