O apartamento era pequeno.
A mesa não era dele.
A cadeira não era dele.
A vista da janela também não.
Ele pagava para ficar.
De manhã, desceu a escada.
Tomou café em um copo de papel.
O copo seria jogado fora.
Na rua, os carros passavam.
Muitos também eram alugados.
As pessoas entravam e saíam deles
Como entram e saem dos dias.
Ele pensou na casa do pai.
Na cerca torta.
Na árvore que permanecia no mesmo lugar.
Não sentiu tristeza.
Apenas percebeu a diferença.
À noite, voltou para o quarto.
Colocou a chave sobre a mesa.
Sabia que um dia a devolveria.
Como devolvemos quase tudo.
Ficou sentado em silêncio.
O silêncio, pelo menos,
Ainda parecia não pertencer a ninguém.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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