quinta-feira, 16 de julho de 2026

Pequeno apartamento

O apartamento era pequeno. 
A mesa não era dele. 
A cadeira não era dele. 
A vista da janela também não. 
Ele pagava para ficar. 

De manhã, desceu a escada. 
Tomou café em um copo de papel. 
O copo seria jogado fora. 

Na rua, os carros passavam. 
Muitos também eram alugados. 
As pessoas entravam e saíam deles 
Como entram e saem dos dias. 

Ele pensou na casa do pai. 
Na cerca torta. 
Na árvore que permanecia no mesmo lugar. 
Não sentiu tristeza. 
Apenas percebeu a diferença. 

À noite, voltou para o quarto. 
Colocou a chave sobre a mesa. 
Sabia que um dia a devolveria. 
Como devolvemos quase tudo. 

Ficou sentado em silêncio. 
O silêncio, pelo menos, 
Ainda parecia não pertencer a ninguém. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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