quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Sacrifício silencioso

 De todo o escrito, 
Só me fere de fascínio o que foi gravado em sangue, 
Não o sangue imaginado, mas o real, 
O que pulsa na carne e se oferece à página 
Como sacrifício silencioso. 
 
Palavras assim não são ornamentos, 
São espelhos da agonia, 
Rastros do que já esteve vivo e não quis morrer em vão. 
O resto é pó sem memória, 
É tinta fria, 
É mentira que nunca conheceu a vertigem do abismo. 
 
Somente o que se escreveu sangrando 
Tem o peso do destino, 
Porque cada letra é um epitáfio, 
Cada linha, um corpo que arde. 
 
E quem lê, não lê palavras, 
Bebe feridas, 
Bebe silêncio coagulado, 
E se perde na escuridão 
Onde o autor deixou sua própria sombra como herança. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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