sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Diante do silêncio das estrelas

 Eu quase acreditei que o único palhaço era eu, 
Porque todos riam 
Quando eu mostrava minhas feridas, 
E eu sorria para não revelar o abismo, 
Como quem transforma 
A própria angústia em espetáculo. 
Mas descobri 
Que ninguém veio ao mundo com um roteiro, 
Somos atores diante do silêncio das estrelas, 
Tentando inventar sentido 
Para uma existência que não explica nada. 
 
A plateia me julgava pelo que conseguia enxergar, 
Mas ninguém conhecia 
O peso escondido sob minha roupa, 
Nem as noites em que conversei sozinho com o vazio. 
Talvez o absurdo não esteja em sofrer, 
Mas em fingir que não sofremos para sermos aceitos. 
No palco, cada homem veste a máscara que escolheu, 
E chama de verdade 
Aquilo que aprendeu a representar. 
 
Então retirei a maquiagem diante de todos, 
E pela primeira vez 
Não me importei com os aplausos. 
Se a vida não oferece um sentido pronto, 
Resta-me a liberdade de escolher 
O significado dos meus passos. 
Não sou o palhaço porque tropeço, 
Sou apenas um homem tentando existir 
Sem mentir para si mesmo, 
Enquanto o palco permanece vazio, 
Esperando o próximo personagem. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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