Como chega uma notícia irreversível.
Não pediu licença.
Apenas ficou.
E tudo o que eu era
Precisou aprender a conviver com isso.
Saber foi perder pessoas
Sem que elas partissem.
Foi olhar os mesmos rostos
E perceber
Que já não falávamos da mesma vida.
A cada verdade compreendida,
Algo em mim precisou morrer.
Não houve luto público,
Apenas o silêncio constrangido
De quem segue funcionando.
Descobri que pensar até o fim
É um gesto que cobra preço.
E quase sempre
Não há quem ajude a pagar.
O mundo não se tornou cruel,
Ele apenas se revelou.
E o horror não estava fora,
Mas na lucidez
De vê-lo sem filtros.
Há saberes que isolam
Mais do que o erro.
Porque errar ainda permite companhia,
Mas compreender
Exige solidão.
O conhecimento não me deu escolha.
Depois dele,
Viver se tornou um ato consciente,
E isso é uma forma de tragédia diária.
Às vezes invejo
Quem consegue acreditar sem fissuras.
Não por fraqueza,
Mas porque a fé intacta
É um descanso que perdi.
O pensamento profundo
Não grita nem consola.
Ele permanece,
Como uma dor antiga
Que já não sangra,
Mas nunca passa.
O conhecimento não foi salvação.
Foi consciência.
E a consciência,
Quando não pode ser desfeita,
É o mais humano
E o mais trágico dos destinos.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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