quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Capitalismo religioso

 Eu não falo de um amor convertido em cifra, 
Nem de afetos que cabem em planilhas celestiais. 
Recuso o altar onde a fé tem etiqueta, 
E a graça é vendida em suaves prestações 
Para corações endividados de esperança. 
 
Eu não falo de um amor que negocia milagres, 
Que pesa a alma em balanças de mercado, 
Onde a bênção depende do saldo 
E Deus é reduzido a um contrato 
Com cláusulas de prosperidade. 
 
Falo de um amor que não cobra ingresso, 
Que não exige senha, nem comprovante. 
Um amor que não transforma o sagrado em produto 
Nem a oração em moeda de troca 
Para comprar um pedaço de eternidade. 
 
Porque o amor, quando verdadeiro, 
Não rende dividendos nem juros compostos. 
Ele arde gratuito, indomável, 
Como algo que jamais aceitaria 
Ser propriedade de qualquer sistema. 
 
E se há fé nesse amor que digo, 
Ela não se ajoelha ao lucro, 
Mas à vertigem de existir e sentir, 
Onde o divino não é mercadoria, 
Mas um mistério que não se vende. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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