Nem de afetos que cabem em planilhas celestiais.
Recuso o altar onde a fé tem etiqueta,
E a graça é vendida em suaves prestações
Para corações endividados de esperança.
Eu não falo de um amor que negocia milagres,
Que pesa a alma em balanças de mercado,
Onde a bênção depende do saldo
E Deus é reduzido a um contrato
Com cláusulas de prosperidade.
Falo de um amor que não cobra ingresso,
Que não exige senha, nem comprovante.
Um amor que não transforma o sagrado em produto
Nem a oração em moeda de troca
Para comprar um pedaço de eternidade.
Porque o amor, quando verdadeiro,
Não rende dividendos nem juros compostos.
Ele arde gratuito, indomável,
Como algo que jamais aceitaria
Ser propriedade de qualquer sistema.
E se há fé nesse amor que digo,
Ela não se ajoelha ao lucro,
Mas à vertigem de existir e sentir,
Onde o divino não é mercadoria,
Mas um mistério que não se vende.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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