Apenas se senta ao meu lado.
Na ausência de quem já amei,
Descubro que também sou feito
Das perdas que não escolhi.
O silêncio conhece meu nome,
Mais do que as vozes da multidão.
Quem partiu deixou uma pergunta,
E vivo respondendo-a
Sem jamais encontrar o fim.
Penso que amar seja aceitar
Que nenhum encontro vence o tempo.
Somos passageiros da mesma estação,
Carregando lembranças
Como quem carrega o próprio rosto.
A sombra que me acompanha
Não é dela, nem minha.
É o espaço vazio entre dois mundos,
Onde o passado insiste em existir
E o futuro ainda não respondeu.
Se a vida não oferece sentido,
Cabe ao coração criá-lo.
Faço da saudade uma chama serena,
Não para esperar quem não volta,
Mas para iluminar quem ainda sou.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:
Postar um comentário