quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Entre a ausência e o ser

 A saudade não pergunta quem sou; 
Apenas se senta ao meu lado. 
Na ausência de quem já amei, 
Descubro que também sou feito 
Das perdas que não escolhi. 
 
O silêncio conhece meu nome, 
Mais do que as vozes da multidão. 
Quem partiu deixou uma pergunta, 
E vivo respondendo-a 
Sem jamais encontrar o fim. 
 
Penso que amar seja aceitar 
Que nenhum encontro vence o tempo. 
Somos passageiros da mesma estação, 
Carregando lembranças 
Como quem carrega o próprio rosto. 
 
A sombra que me acompanha 
Não é dela, nem minha. 
É o espaço vazio entre dois mundos, 
Onde o passado insiste em existir 
E o futuro ainda não respondeu. 
 
Se a vida não oferece sentido, 
Cabe ao coração criá-lo. 
Faço da saudade uma chama serena, 
Não para esperar quem não volta, 
Mas para iluminar quem ainda sou. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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