quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Não vou bater na sua porta

 Não vou bater na sua porta 
Como quem vende a própria alma. 
O mundo já tem gente demais 
Pedindo licença 
Para existir. 
 
Se você não me vê, 
O problema não é o meu rosto. 
Há olhos que só enxergam 
O brilho das vitrines 
E confundem barulho com valor. 
 
Aprendi que a solidão 
É uma mesa mais honesta 
Do que certos aplausos. 
Ela nunca mente 
Sobre quem permanece. 
 
Não preciso vestir outra pele, 
Nem inventar um personagem. 
Quem vive implorando atenção 
Acaba esquecendo 
O próprio nome. 
 
Então fico aqui, 
Com meu café já frio, 
Algumas cicatrizes 
E a estranha paz 
De quem não precisa convencer ninguém. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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