Como um vento antigo que não reconheço.
Tento segurá-lo entre os dedos da memória,
Mas ele escapa pelas frestas do pensamento.
Tem distâncias que não pertencem ao mundo,
Somente ao abismo que cresce dentro de nós
Quando imaginamos aquilo que nunca alcançaremos.
O espaço me observa de longe, imóvel,
Feito um deus sem rosto e sem linguagem.
Cada estrela parece esconder uma ausência,
Cada noite amplia o tamanho da minha dúvida.
Sou pequeno diante das coisas intermináveis,
Mas continuo inventando caminhos invisíveis
Para suportar a vastidão que me cerca.
Creio que viver seja tocar impossíveis,
Erguer sentidos sobre ruínas do incompreensível.
O imaginar não vence o tempo nem o vazio,
Apenas ilumina por instantes a escuridão interna.
Mesmo sabendo que jamais atravessarei o infinito,
Permaneço ouvindo o eco dos horizontes distantes,
Como quem encontra na impossibilidade a própria alma.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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