Como quem molda o nada em emoção,
E encontra, na mais profunda fantasia,
Um eco oculto do próprio coração.
No véu da noite, a alma principia
Um canto feito de ilusão e chão,
E cada verso, em doce alquimia,
Transforma dor em breve redenção.
Quando a aurora invade o pensamento,
E rompe o frágil fio da criação,
Resta em mim um vago sentimento
De ter tocado a própria imensidão,
Pois mesmo ao fim de todo encantamento,
O sonho escreve em mim sua canção.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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