Costuma chamar o céu de exagero.
Aponta as nuvens como armadilhas,
O vento como inimigo,
E transforma o próprio medo em conselho.
Diz que voar é perigoso
Porque nunca sentiu o chão desaparecer.
Porque nunca confiou no vazio.
Porque confunde prudência com prisão.
Quem anda sempre rente ao chão
Aprendeu a medir a vida em passos curtos
E estranha quem ousa saltar.
Não por maldade,
Mas porque o voo
Revela aquilo que lhes falta.
Eles vão te oferecer gaiolas bem pintadas,
Nomes bonitos para a desistência,
Elogios à segurança do nunca.
Vão chamar de maturidade o cansaço,
De realidade o medo herdado.
Mas quem nasce com asas
Sente dor se não tenta voar.
O perigo maior não está em cair,
E sim em passar a vida inteira acreditando
Que o céu era só um mito inventado
Por quem se recusou a rastejar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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