domingo, 25 de janeiro de 2026

Segredos da consciência

 Havia segredos em mim 
Que não se escondiam por medo, 
Mas por delicadeza. 
Esperavam o instante exato 
Em que a consciência, cansada de correr, 
Pararia para ouvi-los. 
 
Eles não chegaram como revelações grandiosas, 
Vieram como um arrepio breve, 
Um pensamento que não pedi, 
Uma lembrança sem endereço. 
De repente, eu sabia, 
E não havia como fingir que não. 
 
Descobri que alguns segredos não são fatos, 
São estados de espírito. 
Eles não dizem o que aconteceu, 
Mas quem eu sou quando ninguém está olhando. 
 
A súbita consciência não grita. 
Ela sussurra, 
E o susto vem justamente disso: 
Do reconhecimento silencioso. 
É quando a mente percebe 
Que sempre soube, 
Mas ainda não tinha coragem de nomear. 
 
Há segredos que não querem ser resolvidos, 
Apenas aceitos. 
Eles surgem para redesenhar o mapa interno, 
Mudar a rota das escolhas, 
Deslocar o centro do que chamávamos de certeza. 
 
E então sigo, 
Um pouco diferente, 
Carregando agora o peso leve 
De saber algo que não me destrói, 
Mas também não me deixa voltar 
A ser quem eu era antes de perceber. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:

Postar um comentário