Que não se escondiam por medo,
Mas por delicadeza.
Esperavam o instante exato
Em que a consciência, cansada de correr,
Pararia para ouvi-los.
Eles não chegaram como revelações grandiosas,
Vieram como um arrepio breve,
Um pensamento que não pedi,
Uma lembrança sem endereço.
De repente, eu sabia,
E não havia como fingir que não.
Descobri que alguns segredos não são fatos,
São estados de espírito.
Eles não dizem o que aconteceu,
Mas quem eu sou quando ninguém está olhando.
A súbita consciência não grita.
Ela sussurra,
E o susto vem justamente disso:
Do reconhecimento silencioso.
É quando a mente percebe
Que sempre soube,
Mas ainda não tinha coragem de nomear.
Há segredos que não querem ser resolvidos,
Apenas aceitos.
Eles surgem para redesenhar o mapa interno,
Mudar a rota das escolhas,
Deslocar o centro do que chamávamos de certeza.
E então sigo,
Um pouco diferente,
Carregando agora o peso leve
De saber algo que não me destrói,
Mas também não me deixa voltar
A ser quem eu era antes de perceber.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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