Carregam nos bolsos guitarras quebradas
E na língua ecos de um grito antigo.
Gritam rock’n roll porque o silêncio dói demais,
E declamam segredos para ouvidos atentos
Que sabem: a dor também é música.
Todo tormento tem um herdeiro,
Alguém que nasce para transformar o grito
Em melodia,
A queda em poesia,
A fúria em compasso.
Assim, o rock não é rebeldia:
É um modo de costurar feridas
Com fios elétricos.
Filhos de tempestade e madrugada,
Esses herdeiros cantam como quem exorciza.
O mundo escuta,
Não para entender,
Mas para sobreviver também.
Os tormentos que se acumulam nas veias
Encontram vazão na guitarra:
Uma confissão amplificada,
Uma oração em feedback,
Um segredo que não pode ser dito em voz baixa.
Ouvidos atentos sabem
Que nesse coro há mais que ruído:
Há um pacto invisível
Entre quem sofre e quem escuta,
Entre quem declama e quem finalmente entende
Que toda dor, quando dita, ilumina.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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