Vinha dela mesma,
Como quem existe
Sem pedir licença ao mundo.
Era a curva discreta dos ombros,
Um desenho quase invisível,
Mas capaz de sustentar silêncios inteiros.
Não havia pose ali, apenas verdade,
E a verdade, quando se mostra,
Seduz sem esforço.
Seu olhar nunca repousava por completo.
Havia nele uma inquietude bonita,
Como se estivesse sempre prestes a partir
Ou a descobrir algo que ninguém mais via.
Olhos assim não observam: revelam.
E o sorriso…
Ah, o sorriso não se entregava inteiro.
Guardava um segredo,
Não por malícia, mas por delicadeza.
Como quem sabe que certas coisas
Só florescem quando permanecem escondidas.
O encanto dela era isso:
Não tentar ser inesquecível,
E ainda assim permanecer.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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