sábado, 24 de janeiro de 2026

O encanto dela

 O encanto dela não vinha de artifícios, 
Vinha dela mesma, 
Como quem existe 
Sem pedir licença ao mundo. 
 
Era a curva discreta dos ombros, 
Um desenho quase invisível, 
Mas capaz de sustentar silêncios inteiros. 
Não havia pose ali, apenas verdade, 
E a verdade, quando se mostra, 
Seduz sem esforço. 
 
Seu olhar nunca repousava por completo. 
Havia nele uma inquietude bonita, 
Como se estivesse sempre prestes a partir 
Ou a descobrir algo que ninguém mais via. 
Olhos assim não observam: revelam. 
 
E o sorriso… 
Ah, o sorriso não se entregava inteiro. 
Guardava um segredo, 
Não por malícia, mas por delicadeza. 
Como quem sabe que certas coisas 
Só florescem quando permanecem escondidas. 
 
O encanto dela era isso: 
Não tentar ser inesquecível, 
E ainda assim permanecer. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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