E talvez seja isso o máximo de coerência
Que um indivíduo pode oferecer ao mundo:
Ser inteiro
Onde ninguém quis compreender a metade.
Há quem negocie a alma em busca de aplausos,
Eu só negocio o silêncio,
Pois ali, pelo menos, não me traio.
Os que se ajoelham por aprovação
Nunca saberão o gosto de caminhar ereto
Mesmo sob o peso da solidão.
Se falarem de mim após o fim,
Que digam apenas:
“Não foi possível domesticá-lo”.
Talvez assim entendam
Que algumas vidas são tempestades,
Não jardins.
Quem nasce para estilhaço
Não aceita molduras.
E se me chamarem de teimoso,
Que seja,
Prefiro a teimosia da autenticidade
Ao conforto da imitação.
Pois morrer incompreendido
É só o preço de ter vivido verdadeiro.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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