terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Morrerei incompreendido

 Morrerei incompreendido, mas fiel a mim. 
E talvez seja isso o máximo de coerência 
Que um indivíduo pode oferecer ao mundo: 
Ser inteiro 
Onde ninguém quis compreender a metade. 
 
Há quem negocie a alma em busca de aplausos, 
Eu só negocio o silêncio, 
Pois ali, pelo menos, não me traio. 
 
Os que se ajoelham por aprovação 
Nunca saberão o gosto de caminhar ereto 
Mesmo sob o peso da solidão. 
 
Se falarem de mim após o fim, 
Que digam apenas: 
“Não foi possível domesticá-lo”. 
Talvez assim entendam 
Que algumas vidas são tempestades, 
Não jardins. 
 
Quem nasce para estilhaço 
Não aceita molduras. 
 
E se me chamarem de teimoso, 
Que seja, 
Prefiro a teimosia da autenticidade 
Ao conforto da imitação. 
 
Pois morrer incompreendido 
É só o preço de ter vivido verdadeiro. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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