A solidão me ensinou a ouvir
O som que o mundo esqueceu de fazer.
Entre paredes mudas,
Minha imaginação aprendeu a andar descalça,
Sem mapa, sem hora, sem dono.
Quando ninguém me vê,
As palavras perdem o medo
E se sentam ao meu lado
Como animais que reconhecem abrigo.
Não pedem sentido,
Pedem espaço.
Invento paisagens que não existem
Para sobreviver às que existem demais.
Crio rostos, vozes, destinos,
Porque a realidade, sozinha,
Não basta.
Sou poeta porque fiquei.
Porque não fugi do silêncio.
Porque aceitei que a solidão
Não era ausência de mundo,
Mas o lugar exato
Onde a imaginação respira livre
E me escreve antes que eu a escreva.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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