sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Porque não fugi do silêncio

A solidão me ensinou a ouvir 
O som que o mundo esqueceu de fazer. 
Entre paredes mudas, 
Minha imaginação aprendeu a andar descalça, 
Sem mapa, sem hora, sem dono. 
 
Quando ninguém me vê, 
As palavras perdem o medo 
E se sentam ao meu lado 
Como animais que reconhecem abrigo. 
Não pedem sentido, 
Pedem espaço. 
 
Invento paisagens que não existem 
Para sobreviver às que existem demais. 
Crio rostos, vozes, destinos, 
Porque a realidade, sozinha, 
Não basta. 
 
Sou poeta porque fiquei. 
Porque não fugi do silêncio. 
Porque aceitei que a solidão 
Não era ausência de mundo, 
Mas o lugar exato 
Onde a imaginação respira livre 
E me escreve antes que eu a escreva. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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