Mesmo distante é assim,
A lembrança tem a manha de permanecer viva
Como um incêndio que se recusa a virar cinza.
Eu sei que não me esquece,
Porque há nomes que fazem eco,
Há gestos que grudam no corpo
Como perfume em roupa de festa,
Mesmo depois do sol e dos lavadouros da vida.
A distância tenta explicar o que não entende:
Certas presenças seguem em segredo,
Sem contrato, sem testemunha,
Apenas ocupando o pensamento
Como se fosse casa.
E, se te negas, eu sorrio:
Quem já provou o gosto
Não esquece o sabor,
Mesmo que finja.
Mesmo que cale.
No fundo, você sabe:
A memória é uma espécie de teimosia do coração.
E o coração, quando aprende um nome,
Não desaprende fácil.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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