segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Teimosia do coração

Mesmo distante é assim, 
A lembrança tem a manha de permanecer viva 
Como um incêndio que se recusa a virar cinza. 
 
Eu sei que não me esquece, 
Porque há nomes que fazem eco, 
Há gestos que grudam no corpo 
Como perfume em roupa de festa, 
Mesmo depois do sol e dos lavadouros da vida. 
 
A distância tenta explicar o que não entende: 
Certas presenças seguem em segredo, 
Sem contrato, sem testemunha, 
Apenas ocupando o pensamento 
Como se fosse casa. 
 
E, se te negas, eu sorrio: 
Quem já provou o gosto 
Não esquece o sabor, 
Mesmo que finja. 
Mesmo que cale. 
 
No fundo, você sabe: 
A memória é uma espécie de teimosia do coração. 
E o coração, quando aprende um nome, 
Não desaprende fácil. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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