sábado, 17 de janeiro de 2026

Quem controla quem?

 Eu já não sei 
Se é o mercado que controla o Estado 
Ou se é o Estado que controla o mercado. 
Às vezes parecem dois cães rondando o mesmo osso, 
Ou duas mãos dentro do mesmo bolso — o nosso. 
 
O que sei é que estamos todos no tabuleiro, 
Movidos por forças que ninguém assinou; 
Pedaços de estatística, votos, boletos, 
Alimentando máquinas que fingem neutralidade. 
 
O mercado diz que é liberdade, 
O Estado diz que é proteção. 
E nós, no meio, confundimos algemas com escolhas, 
E chamamos o labirinto de “progresso”. 
 
Há dias em que tudo parece um grande leilão, 
Quem dá mais pela esperança, 
Quem compra o silêncio, 
Quem vende o futuro a juros compostos. 
 
E há noites em que o Estado e o mercado 
Se recolhem atrás da cortina, 
E só escutamos o ranger das dobradiças do mundo, 
Lembrando que a engrenagem gira 
Mesmo quando ninguém sabe quem deu a ordem. 
 
No fim, talvez não importe 
Quem segura as rédeas 
Se todos já estão dentro da carroça. 
 
O poder não precisa de rosto 
Para apertar o gatilho, 
Nem de ideologia para cobrar seu preço. 
 
A verdade é simples e cruel: 
Não sabemos quem governa, 
Mas sabemos que obedecemos. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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