Se é o mercado que controla o Estado
Ou se é o Estado que controla o mercado.
Às vezes parecem dois cães rondando o mesmo osso,
Ou duas mãos dentro do mesmo bolso — o nosso.
O que sei é que estamos todos no tabuleiro,
Movidos por forças que ninguém assinou;
Pedaços de estatística, votos, boletos,
Alimentando máquinas que fingem neutralidade.
O mercado diz que é liberdade,
O Estado diz que é proteção.
E nós, no meio, confundimos algemas com escolhas,
E chamamos o labirinto de “progresso”.
Há dias em que tudo parece um grande leilão,
Quem dá mais pela esperança,
Quem compra o silêncio,
Quem vende o futuro a juros compostos.
E há noites em que o Estado e o mercado
Se recolhem atrás da cortina,
E só escutamos o ranger das dobradiças do mundo,
Lembrando que a engrenagem gira
Mesmo quando ninguém sabe quem deu a ordem.
No fim, talvez não importe
Quem segura as rédeas
Se todos já estão dentro da carroça.
O poder não precisa de rosto
Para apertar o gatilho,
Nem de ideologia para cobrar seu preço.
A verdade é simples e cruel:
Não sabemos quem governa,
Mas sabemos que obedecemos.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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