Não por vaidade, mas por sobrevivência.
Quem revela sempre o mesmo gesto
Ensina o mundo a antecipá-lo.
Quem caminha em linha reta
Oferece o próprio peito à mira.
A ave que não muda o voo
Vira alvo fácil no céu,
E o alvo fácil é um convite ao disparo.
Mudar não é incoerência.
É leitura do vento.
É escuta do perigo.
É sabedoria antiga
Que entende que previsibilidade mata.
Há dias de silêncio e dias de riso.
Há passos lentos, outros abruptos.
Há momentos de sombra, outros de luz.
Cada estilo é uma rota alternativa
Quando o céu se torna hostil.
Não deixem saber qual será seu próximo passo.
Não por medo, mas por lucidez.
Quem se reinventa desarma o caçador,
Confunde o olhar que vigia,
E permanece vivo,
Não por força,
Mas por saber desviar do perigo.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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