sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

E talvez seja isso

 Que poema de amor 
Agora me enche o coração? 
Não é feito de rimas perfeitas, 
Nem cabe inteiro no papel. 
 
É um poema que pulsa, 
Nasce quando teu nome 
Atravessa meus pensamentos 
Sem pedir licença, 
Quando o silêncio fica mais cheio 
Do que qualquer palavra dita. 
 
É um poema de espera e vertigem, 
Feito de olhares que não se confessam, 
De vontades que aprendem a respirar devagar 
Para não se denunciarem. 
 
Agora o amor me ocupa assim: 
Como um verso que insiste, 
Uma estrofe inacabada 
Que não quer fim, 
Apenas presença. 
 
E talvez seja isso 
O que me enche o coração: 
Não o poema escrito, 
Mas aquele que acontece 
Quando penso em você 
E tudo dentro de mim 
Se reorganiza em poesia. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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