E quem espera demais inventa mundos,
Não para preenchê-los,
Mas para não cair neles.
A imaginação nunca pede licença: ela grita.
Não fala para o ouvido, fala para os olhos.
É por isso que alguns olhares sangram ideias.
O poeta espera — mas o tempo não.
E no atraso do mundo
Surgem criaturas que só ele vê,
Nascidas de um medo tímido
E de uma coragem clandestina.
Há limites que só existem
Para quem não os encontra.
O poeta encontra,
E por isso volta ferido.
Mas volta.
Quando nada acontece, a mente inventa.
Quando tudo acontece de uma vez, a mente ri.
O poeta é o único que se assusta com os dois.
O limite da imaginação é o corpo:
Ela quer se estender
Até onde o sangue não chega.
O resto é vertigem.
Quem espera demais aprende a ver no escuro.
E ver no escuro é um tipo de destino.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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