O desejo não mudou de endereço,
A afeição não perdeu o nome.
Eles continuam onde sempre estiveram,
Em vigília silenciosa dentro de mim.
Há algo em você que não pede licença.
Entra devagar, como quem prende o corpo pelo eco,
E quando percebo, já não é só presença:
É feitiço.
Você tocou não apenas a pele,
Mas o lugar onde a pele começa a sentir falta.
Encantou o corpo, sim,
Mas foi a alma que primeiro se rendeu,
Como se já o conhecesse de antes.
Sigo dessa forma:
Inteiro no mesmo desejo,
Fiel à mesma afeição,
Sabendo que algumas mudanças não são rupturas,
São aprofundamentos.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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