terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Cegueira existencial

 Há quem possua um mundo inteiro, 
E ainda assim caminhe 
Como um mendigo da própria vida. 
 
Há quem tenha o sol dentro de casa, 
Mas prefira o frio das sombras que inventa. 
 
Alguns seguram a felicidade pelas bordas, 
Sem perceber que ela 
Escorre pelos dedos porque não a nomeiam. 
 
Viver como se nada tivesse 
É uma espécie de cegueira escolhida, 
Um modo elegante de desperdiçar milagres. 
 
Os que não enxergam o que têm 
Colecionam fantasmas, 
Sentem falta do que nunca perderam, 
Lamentam o que nunca procuraram. 
 
É triste, mas é humano: 
Há corações que só descobrem o valor do calor 
Quando já desaprenderam a acender fogo. 
 
E quando finalmente percebem o que tinham, 
Não é mais posse, é memória. 
E memória não abraça, 
Não consola, não devolve. 
Só pesa. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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