A desigualdade não é acaso,
É projeto.
É a engrenagem que gira
Quando poucos se alimentam de muitos.
As vidas sofridas não são invisíveis,
São apagadas de propósito.
É mais fácil governar
Quando a fome cala,
Quando a miséria curva a espinha,
Quando a esperança se torna esmola.
Enquanto isso,
Os que lucram erguem prédios de vidro,
Bebem champanhe sobre o suor alheio
E chamam isso de mérito.
Não é destino,
É escolha política:
Pão negado, teto arrancado,
Direitos transformados em favores.
E nós?
Não podemos apenas assistir.
A poesia não basta,
Ela precisa arder como palavra de ordem,
Precisa soprar brasas em corações cansados,
Precisa lembrar:
Ninguém se liberta sozinho.
Ou se levanta a voz,
Ou se abaixa a cabeça.
E a história tem sede
De quem ousa gritar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:
Postar um comentário