terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Fragmentos de névoa

 A razão... 
Um rio que não sabe seu leito, 
Mas corre sem pressa, sem pausa, 
Entre espelhos partidos 
E sombras que não se reconhecem. 
 
É um sussurro geométrico 
Num salão de ecos líquidos, 
Onde cada passo é um risco 
E cada linha, um voo contido. 
 
Anda com asas feitas de vidro, 
Tateia o invisível com dedos de ideia, 
E desconfia das certezas 
Como quem desconfia da luz: 
Tão clara… que cega. 
 
Ela gira no eixo do indizível, 
Fala em silêncios polidos, 
E escolhe o rumo 
Com bússolas que flutuam 
Num mar sem Norte. 
 
Às vezes, 
É só um ponto imóvel no centro da vertigem 
Não sente, mas pressente. 
Não sonha, mas desenha o contorno do sonho 
Com régua de névoa. 
 
E segue, 
Mesmo sem saber se existe 
Além do pensamento que a pensa. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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