Um rio que não sabe seu leito,
Mas corre sem pressa, sem pausa,
Entre espelhos partidos
E sombras que não se reconhecem.
É um sussurro geométrico
Num salão de ecos líquidos,
Onde cada passo é um risco
E cada linha, um voo contido.
Anda com asas feitas de vidro,
Tateia o invisível com dedos de ideia,
E desconfia das certezas
Como quem desconfia da luz:
Tão clara… que cega.
Ela gira no eixo do indizível,
Fala em silêncios polidos,
E escolhe o rumo
Com bússolas que flutuam
Num mar sem Norte.
Às vezes,
É só um ponto imóvel no centro da vertigem
Não sente, mas pressente.
Não sonha, mas desenha o contorno do sonho
Com régua de névoa.
E segue,
Mesmo sem saber se existe
Além do pensamento que a pensa.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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