Há pensamentos que nascem durante o dia,
Mas não suportam o peso da própria luz.
Esperam, silenciosos,
Até que a noite os reclame
Como criaturas que pertencem à sombra.
A noite não é ausência,
É boca.
E nela, certos pensamentos são devorados
Antes mesmo de aprenderem
A existir por inteiro.
Ideias interrompidas,
Memórias que quase se revelam,
Verdades que chegam à beira dos lábios
E recuam, temerosas,
Como se o escuro fosse um abismo com fome.
Pois há em nós um território noturno
Onde o pensamento não pensa,
Lateja,
Hesita,
Desmancha-se em ecos
Que jamais verão a manhã.
E quando o dia retorna,
Trazemos apenas vestígios:
Uma inquietação sem nome,
Um sentimento sem rosto,
Como se algo precioso tivesse sido perdido
Em algum lugar entre o silêncio e o sono.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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