Ela apenas abre as portas da luz
E convida os olhos
A perceberem aquilo
Que sempre esteve presente.
O vento não conhece calendários.
As árvores não lamentam
As folhas que já partiram.
O rio não retorna à nascente,
Mas também não teme o mar.
Aprende com o silêncio dos campos.
A terra ensina
Que cada semente possui seu tempo,
Mas nenhuma floresce
Fora do instante que lhe foi concedido.
Quem vive esperando o futuro
Caminha ao lado da própria vida
Sem verdadeiramente encontrá-la.
O hoje é uma clareira
Que se fecha quando deixamos de atravessá-la.
Ao cair da tarde, que teu coração esteja leve,
Não porque o dia foi perfeito,
Mas porque foste inteiro nele,
Como a árvore que apenas cresce
E o céu que apenas acolhe a luz.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense
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