Onde nenhuma resposta dura para sempre.
O vento do pensamento atravessa os corredores da alma
E leva consigo as certezas que julgávamos eternas.
Resta-nos o silêncio e a pergunta.
Cada aluno carrega um universo incompleto,
Um enigma que nem ele próprio compreende.
Tentamos oferecer mapas e direções,
Mas a existência insiste em inventar outros caminhos.
E toda rota termina em novas dúvidas.
Há um risco em ensinar: ser transformado.
A ideia que lançamos ao mundo retorna diferente,
Vestida de experiências que não vivemos.
O pensamento não respeita proprietários.
Ele pertence ao movimento.
Por vezes, o vento chega como tempestade,
Arrancando crenças das raízes mais profundas.
Descobrimos então que aprender não é acumular,
Mas perder versões antigas de si mesmo
Para habitar outras possibilidades.
Educar é caminhar sem garantias,
Aceitando a fragilidade de toda verdade humana.
Sob o céu indiferente do tempo,
Mestres e aprendizes seguem lado a lado,
Expostos ao mesmo vento infinito.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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