sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Viajantes

 Há uma hora suspensa entre o relógio e a lembrança; 
É nela que meu pensamento atravessa a tarde 
Como um pássaro que desconhece fronteiras. 
As ruas permanecem imóveis, 
Mas dentro delas o tempo muda de direção. 
 
Se ele encontra você, não sei quem retorna. 
Talvez apenas o eco de uma pergunta antiga, 
Repetida pelos corredores da memória 
Onde as janelas se abrem para um céu sem resposta 
E cada silêncio possui o peso de uma catedral vazia. 
 
O coração aprende a linguagem das ausências. 
Não grita; acumula poeira sobre os nomes, 
Como livros esquecidos em uma biblioteca antiga. 
Ainda assim, basta uma lembrança 
Para que todas as páginas voltem a respirar. 
 
Somos viajantes de instantes incompletos, 
Colecionadores de encontros que nunca terminam. 
Chamamos de destino aquilo que não compreendemos, 
E de saudade aquilo que insiste em permanecer 
Quando todas as despedidas já foram pronunciadas. 
 
Então meu pensamento repousa onde você está, 
Enquanto meu coração permanece entre dois mundos: 
Um feito de passos que o tempo consome, 
Outro de perguntas que nenhuma manhã dissolve. 
Nesse intervalo, a vida silenciosamente nos escreve. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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