Onde a saudade semeava o chão.
Mas encontrei apenas os rastros
De um tempo guardado na recordação,
E o silêncio ocupando o lugar da paixão.
As janelas ainda fitavam o horizonte,
Como quem espera alguém regressar.
Porém, o amor cruzara outra ponte,
Deixando apenas o vento a cantar
Canções que já não sabem consolar.
Procurei teu nome entre as lembranças,
Nas sombras que o tempo não desfez.
Vi que as mais belas esperanças
Também se despedem, uma única vez,
Quando o coração aceita a lucidez.
Há caminhos que pedem despedida,
Mesmo que os pés insistam em voltar.
Não se revive a mesma vida,
Nem se obriga o amor a ficar
Quando escolheu outro lugar.
Hoje caminho sem olhar para trás,
Levando comigo o que o tempo ensinou.
Pois quem ama também encontra paz
Ao compreender que tudo passou,
E que a esperança jamais se acabou.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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