sábado, 18 de julho de 2026

Onde o amor já não habita

Voltei à estrada dos antigos abraços, 
Onde a saudade semeava o chão. 
Mas encontrei apenas os rastros 
De um tempo guardado na recordação, 
E o silêncio ocupando o lugar da paixão. 

As janelas ainda fitavam o horizonte, 
Como quem espera alguém regressar. 
Porém, o amor cruzara outra ponte, 
Deixando apenas o vento a cantar 
Canções que já não sabem consolar. 

Procurei teu nome entre as lembranças, 
Nas sombras que o tempo não desfez. 
Vi que as mais belas esperanças 
Também se despedem, uma única vez, 
Quando o coração aceita a lucidez. 

Há caminhos que pedem despedida, 
Mesmo que os pés insistam em voltar. 
Não se revive a mesma vida, 
Nem se obriga o amor a ficar 
Quando escolheu outro lugar. 

Hoje caminho sem olhar para trás, 
Levando comigo o que o tempo ensinou. 
Pois quem ama também encontra paz 
Ao compreender que tudo passou, 
E que a esperança jamais se acabou. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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