sábado, 18 de julho de 2026

Quando não sabia as palavras

Houve um tempo em que eu não conhecia todas as palavras. 
Caminhava entre sentimentos sem conseguir nomeá-los. 
O silêncio era a única linguagem que eu possuía. 
Mas havia tempestades que não cabiam dentro dele. 
Foi nesse vazio que a poesia se aproximou. 

Ela não me ensinou apenas a escrever. 
Mostrou que cada emoção procura a sua forma. 
Que uma pausa também pode carregar sentido. 
Que um verso nasce antes da tinta alcançar o papel. 
E que a alma sempre encontra um caminho para existir. 

Passei a recolher fragmentos do cotidiano. 
O vento tornou-se uma conversa antiga. 
As noites ganharam o peso das lembranças. 
Os pequenos gestos revelaram universos escondidos. 
Meu olhar aprendeu a permanecer onde antes apenas passava. 

Desde então, as palavras deixaram de ser ferramentas. 
Transformaram-se em pontes entre o que sou e o que sinto. 
Nem sempre dizem tudo o que desejo. 
Mas iluminam o que antes permanecia invisível. 
E me ajudam a continuar atravessando os dias. 

Hoje sei que a poesia nasceu antes de qualquer verso. 
Ela habitava o espaço entre a voz e o silêncio. 
Esperava apenas que eu aprendesse a escutá-la. 
Quando isso aconteceu, já não procurei todas as respostas. 
Bastou-me descobrir que cada poema também é uma forma de respirar. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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