Houve um tempo em que eu não conhecia todas as palavras.
Caminhava entre sentimentos sem conseguir nomeá-los.
O silêncio era a única linguagem que eu possuía.
Mas havia tempestades que não cabiam dentro dele.
Foi nesse vazio que a poesia se aproximou.
Ela não me ensinou apenas a escrever.
Mostrou que cada emoção procura a sua forma.
Que uma pausa também pode carregar sentido.
Que um verso nasce antes da tinta alcançar o papel.
E que a alma sempre encontra um caminho para existir.
Passei a recolher fragmentos do cotidiano.
O vento tornou-se uma conversa antiga.
As noites ganharam o peso das lembranças.
Os pequenos gestos revelaram universos escondidos.
Meu olhar aprendeu a permanecer onde antes apenas passava.
Desde então, as palavras deixaram de ser ferramentas.
Transformaram-se em pontes entre o que sou e o que sinto.
Nem sempre dizem tudo o que desejo.
Mas iluminam o que antes permanecia invisível.
E me ajudam a continuar atravessando os dias.
Hoje sei que a poesia nasceu antes de qualquer verso.
Ela habitava o espaço entre a voz e o silêncio.
Esperava apenas que eu aprendesse a escutá-la.
Quando isso aconteceu, já não procurei todas as respostas.
Bastou-me descobrir que cada poema também é uma forma de respirar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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