segunda-feira, 19 de outubro de 2026

O banal também será história

 Olho para a xícara esquecida sobre a mesa, 
Para o relógio que insiste em devorar as horas, 
Para a fotografia guardada numa gaveta, 
E encontro, nas coisas simples, 
Os vestígios silenciosos de quem somos. 
O presente passa sem anunciar sua partida, 
Enquanto o cotidiano escreve a própria história. 
 
A música que toca hoje nas esquinas, 
As palavras perdidas nas conversas de amigos, 
O celular que ilumina os rostos à noite, 
Tudo parece comum aos nossos olhos, 
Mas o tempo recolhe cada pequeno detalhe. 
Amanhã, alguém procurará nesses sinais 
A maneira como vivemos e sonhamos. 
 
Por isso, contemplo o agora com outros olhos, 
Como quem visita um museu ainda em construção, 
Onde cada gesto guarda um pouco de eternidade. 
Pode ser que sejamos lembrados por coisas tão pequenas 
Que hoje nem sequer merecem nossa atenção. 
Pois a história não nasce apenas dos grandes feitos, 
Também nasce da vida que passa despercebida. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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