domingo, 22 de fevereiro de 2026

Brincando com o limite

 Se você dança à beira do penhasco, 
Não culpe o vento pelo abismo. 
Há quedas que nascem do passo, 
Silêncios que avisam no íntimo, 
Mas o desejo faz-se surdo. 
 
O perigo raramente grita, 
Ele sussurra em vertigem doce. 
Primeiro é vertigem, depois é fenda, 
Primeiro escolha, depois é nome: destino, 
Que vestimos para aliviar a culpa. 
 
Brincar com o limite é um pacto mudo. 
A rocha não empurra, apenas espera. 
E toda espera tem paciência antiga, 
Como se soubesse que o humano 
Confunde impulso com acidente. 
 
Não foi o chão que traiu o corpo, 
Nem o acaso que armou a queda. 
Certos tombos são sementes plantadas 
No instante em que sorrimos ao risco 
E chamamos coragem de descuido. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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