Não culpe o vento pelo abismo.
Há quedas que nascem do passo,
Silêncios que avisam no íntimo,
Mas o desejo faz-se surdo.
O perigo raramente grita,
Ele sussurra em vertigem doce.
Primeiro é vertigem, depois é fenda,
Primeiro escolha, depois é nome: destino,
Que vestimos para aliviar a culpa.
Brincar com o limite é um pacto mudo.
A rocha não empurra, apenas espera.
E toda espera tem paciência antiga,
Como se soubesse que o humano
Confunde impulso com acidente.
Não foi o chão que traiu o corpo,
Nem o acaso que armou a queda.
Certos tombos são sementes plantadas
No instante em que sorrimos ao risco
E chamamos coragem de descuido.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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