Quando a noite se recolhe em silêncio
E o pensamento, sem pedir licença,
Refaz os caminhos do passado,
Como quem procura entre as sombras
Um instante que o tempo não levou.
Ainda me lembro de você
Nas pequenas coisas do cotidiano,
Numa música, num perfume, numa palavra,
Num lugar onde o vento parece
Sussurrar histórias que ficaram
Guardadas entre o ontem e o agora.
Ainda me lembro de você
Não porque queira prender o passado,
Nem porque espere que você volte,
Mas porque houve verdade entre nós,
E algumas verdades permanecem
Mesmo depois que tudo muda.
Ainda me lembro de você
Porque certas pessoas não desaparecem,
Apenas mudam de lugar dentro da gente;
Deixam de ser presença e tornam-se memória,
Deixam de ser caminho e tornam-se saudade,
E continuam vivendo onde o coração se recorda.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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