Com o vazio a me interrogar.
Cada manhã inventa um novo dia,
E sou eu quem decide caminhar,
Mesmo sem saber onde vou chegar.
O mundo não responde às minhas perguntas,
Guarda um silêncio antigo e profundo.
As certezas desmancham-se todas juntas,
E descubro, diante do mundo,
Que viver é criar um segundo.
Carrego o peso das minhas escolhas,
Sem outro culpado além de mim.
O destino não escreve minhas folhas;
Sou autor do meu próprio jardim,
Ainda que floresça sem fim.
Às vezes a noite parece infinita,
E a esperança aprende a vacilar.
Mas a consciência jamais se evita:
Quem foge de si torna a encontrar
A mesma pergunta em qualquer lugar.
Se a vida não traz um sentido pronto,
Cabe ao coração fazê-lo nascer.
Cada passo transforma o horizonte em ponto,
E, enquanto escolho permanecer,
Descubro que existir é sempre renascer.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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