Cada parte perderia o nome da outra.
Sou a soma das perguntas que me habitam,
E o vazio que me atravessa
Também é uma forma de existir.
Não me escolhas apenas nos dias claros.
A noite revela o que o sol esconde.
Há uma verdade nas minhas incertezas
Que nenhuma máscara consegue silenciar,
Porque existir é caminhar sem garantias.
Se me abraças, abraça também meus abismos.
Não para preenchê-los, mas para reconhecê-los.
O ser humano não nasce acabado;
Constrói-se entre escolhas e renúncias,
Como quem escreve o próprio destino no escuro.
Não procures um sentido pronto em mim.
Sou obra inacabada de cada instante.
O significado não me espera adiante;
Ele nasce quando assumo a liberdade
E aceito o peso de ser quem sou.
Se não podes acolher-me inteiro, parte.
Prefiro a solidão à existência fragmentada.
Ninguém vive plenamente em pedaços,
Pois a alma, quando dividida para agradar,
Deixa de reconhecer a própria voz.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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