segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Último sonho

 Não existe um sino anunciando 
O último sonho. 
Você apenas percebe 
Que o café esfriou 
E que ninguém está esperando por você. 
 
A vida sempre cobra a conta. 
Alguns pagam com dinheiro, 
Outros com noites em claro. 
No fim, todos deixam algumas moedas 
Sobre a mesa do tempo. 
 
Eu já quis mudar o mundo. 
Depois quis mudar a mim mesmo. 
Descobri que ambas as tarefas 
Quebram os ossos 
De quem insiste demais. 
 
Quando o último sonho chegar, 
Não quero discursos. 
Abra a janela, deixe o vento entrar, 
E permita que o silêncio faça 
O trabalho que sempre soube fazer. 
 
Se houver alguma vitória, 
Ela será pequena: 
Ter atravessado o caos sem vender a alma, 
Ter encontrado um ou dois sorrisos verdadeiros, 
E partir sem fingir que a vida devia ter sido outra. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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