O corpo, não.
Essa é a piada que a vida conta
Enquanto o café esfria
E a noite finge que sabe de alguma coisa.
Ele chega até você
Como quem entra num bar vazio:
Sem bater na porta,
Sem pedir licença,
Sem prometer que vai ficar.
O coração é mais complicado.
Não quebra de uma vez.
Vai rachando devagar,
Como uma calçada antiga
Que ninguém se preocupa em consertar.
Às vezes acho que amar
É perder discussões para o silêncio.
Você segue vivendo do seu lado do mundo,
Eu continuo deste,
E nenhum dos dois vence a distância.
Quando meu pensamento volta,
Traz o seu nome nos bolsos
E um cansaço difícil de explicar.
O coração apenas suspira,
Acende mais um dia e continua batendo.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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