Com perguntas maiores que minha voz.
A multidão me oferece um papel,
Mas minha alma procura outro algoz:
O silêncio que revela quem sou.
A angústia não é sombra que condena;
É a porta estreita da liberdade.
Cada escolha rompe uma corrente,
E faz nascer, na eternidade,
O homem que decido ser.
Não encontro repouso nas certezas,
Nem na razão que tudo quer medir.
Há um abismo entre minhas fraquezas
E o infinito que insiste em me seguir,
Chamando-me para além de mim.
A fé não dissolve meus temores,
Nem transforma a noite em pleno dia.
Ela sustenta meus passos vacilantes,
Quando a esperança desafia
O que meus olhos não conseguem ver.
Peregrino sou, sem fugir de mim,
Entre o tempo e o eterno a me buscar.
Se cair, recomeço até o fim,
Pois viver é ousar acreditar
Quando somente Deus pode responder.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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