quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Diante do infinito

 Caminho só entre a terra e o céu, 
Com perguntas maiores que minha voz. 
A multidão me oferece um papel, 
Mas minha alma procura outro algoz: 
O silêncio que revela quem sou. 
 
A angústia não é sombra que condena; 
É a porta estreita da liberdade. 
Cada escolha rompe uma corrente, 
E faz nascer, na eternidade, 
O homem que decido ser. 
 
Não encontro repouso nas certezas, 
Nem na razão que tudo quer medir. 
Há um abismo entre minhas fraquezas 
E o infinito que insiste em me seguir, 
Chamando-me para além de mim. 
 
A fé não dissolve meus temores, 
Nem transforma a noite em pleno dia. 
Ela sustenta meus passos vacilantes, 
Quando a esperança desafia 
O que meus olhos não conseguem ver. 
 
Peregrino sou, sem fugir de mim, 
Entre o tempo e o eterno a me buscar. 
Se cair, recomeço até o fim, 
Pois viver é ousar acreditar 
Quando somente Deus pode responder. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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