Mas alguma coisa já não estava lá
Talvez o homem que fui tenha partido
Enquanto eu contava os dias
E chamava de existência o meu hábito.
Procuro em mim uma origem
Um ponto anterior a todas as perdas
Mas encontro corredores sem portas
Memórias que não sabem meu nome
E silêncios ocupando antigos lugares.
Não sei quando me tornei este outro
Que observa o mundo com distância
Talvez mudar seja uma morte lenta
Da qual ninguém escreve o luto
Porque o morto continua caminhando.
Carrego meu rosto como uma pergunta
E meu nome parece uma coincidência
Existir tornou-se esse estranho exercício
De permanecer onde tudo desaparece
Inclusive aquilo que penso ser.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:
Postar um comentário