quarta-feira, 21 de outubro de 2026

O estranho que sou

 Acordei dentro de uma vida conhecida 
Mas alguma coisa já não estava lá 
Talvez o homem que fui tenha partido 
Enquanto eu contava os dias 
E chamava de existência o meu hábito. 
 
Procuro em mim uma origem 
Um ponto anterior a todas as perdas 
Mas encontro corredores sem portas 
Memórias que não sabem meu nome 
E silêncios ocupando antigos lugares. 
 
Não sei quando me tornei este outro 
Que observa o mundo com distância 
Talvez mudar seja uma morte lenta 
Da qual ninguém escreve o luto 
Porque o morto continua caminhando. 
 
Carrego meu rosto como uma pergunta 
E meu nome parece uma coincidência 
Existir tornou-se esse estranho exercício 
De permanecer onde tudo desaparece 
Inclusive aquilo que penso ser. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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