Ainda aprendia o próprio nome,
O rio já a chamava em segredo.
Não com palavras, mas com reflexos,
Com o ouro trêmulo das tardes
E o silêncio antigo das correntezas.
Cáceres era barro, passo, espera.
Casas baixas cochichando histórias,
Varandas bordadas de vento e lembranças,
Como se o tempo ali caminhasse descalço
Para não ferir a memória.
Então alguém viu, ou sentiu,
Que o rio não a atravessava apenas,
Mas a escolhia.
Como se coroasse em águas mansas
Uma realeza sem trono, sem pressa.
Princesinha.
Não pela grandeza,
Mas pela delicadeza de existir à margem,
Pela graça serena de quem não disputa,
Apenas permanece.
E o Rio Paraguai, velho e paciente,
Seguiu passando como quem guarda um segredo:
Sabendo que certas cidades
Não apenas nascem,
São lentamente encantadas.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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