quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Princesinha

 Quando a Vila Maria
Ainda aprendia o próprio nome, 
O rio já a chamava em segredo. 
Não com palavras, mas com reflexos, 
Com o ouro trêmulo das tardes 
E o silêncio antigo das correntezas. 
 
Cáceres era barro, passo, espera. 
Casas baixas cochichando histórias, 
Varandas bordadas de vento e lembranças, 
Como se o tempo ali caminhasse descalço 
Para não ferir a memória. 
 
Então alguém viu, ou sentiu, 
Que o rio não a atravessava apenas, 
Mas a escolhia. 
Como se coroasse em águas mansas 
Uma realeza sem trono, sem pressa. 
 
Princesinha. 
Não pela grandeza, 
Mas pela delicadeza de existir à margem, 
Pela graça serena de quem não disputa, 
Apenas permanece. 
 
E o Rio Paraguai, velho e paciente, 
Seguiu passando como quem guarda um segredo: 
Sabendo que certas cidades 
Não apenas nascem, 
São lentamente encantadas. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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