quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Talvez eu nunca mais a veja

Ontem à noite eu conheci uma garota. 
Não sei se era feita de riso ou de silêncio, 
Mas havia nela algo que não cabia no instante, 
Como uma lembrança que nasce antes de existir, 
Ou uma saudade sem passado. 
 
Ela falava, e o mundo diminuía, 
Como se as coisas perdessem a pressa de ser. 
Seus olhos, estranhos abismos calmos, 
Guardavam segredos que não ousei tocar, 
Mas que ainda assim me tocaram. 
 
Foi breve, como tudo que fere fundo. 
A noite seguiu seu curso indiferente, 
Mas algo em mim ficou suspenso, 
Preso naquele encontro improvável, 
Como quem tropeça no próprio destino. 
 
Talvez eu nunca mais a veja. 
Talvez ela nunca tenha sido minha história. 
Mas há encontros que não pedem continuidade, 
Basta que existam, uma única vez, 
Para nunca mais deixarem de ser lembrança. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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