segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Meu silêncio

Hoje quase disse. 
Quase. 
 
Você falou alguma coisa sobre o tempo, 
Sobre como o dia estava estranho, 
E eu só pensei: 
Estranho é como você mexe no eixo do meu mundo. 
Mas não falei. 
Guardei. 
 
Tenho medo de traduzir o que sinto. 
Porque na tradução sempre se perde alguma coisa, 
E eu não quero que o que você receba 
Seja apenas uma sombra do que é aqui dentro. 
 
Às vezes acho que meu corpo já fala por mim: 
Meu olhar, 
Que se prende em você como se estivesse se afogando; 
Minha respiração, 
Que muda de ritmo quando o seu nome flutua no ar; 
Meu silêncio, 
Que não é vazio, é excesso. 
 
Não sei se você percebe. 
Ou se percebe e prefere deixar que eu continue aqui, 
Tentando domar esse animal selvagem que cresce no peito. 
 
Porque é isso: 
Um bicho inquieto, 
Um incêndio sem vento, 
Uma palavra prestes a saltar do penhasco. 
 
E, quando saltar, 
Não será só uma frase. 
Será tudo. 
E tudo pode ser demais. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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