quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Escrevo com mãos tranquilas

 Não escrevo para vencer o tempo, 
Pois sei que tudo passa e se transforma. 
Escrevo para ordenar a alma inquieta, 
E aprender, entre as palavras, a aceitar 
Aquilo que não está sob meu domínio. 
 
Quando a tempestade visita meus dias, 
Procuro não maldizer os ventos que sopram. 
Faço da escrita um exercício de clareza, 
Onde os fatos encontram seu lugar 
E as emoções aprendem a obedecer à razão. 
 
Não escolho os caminhos que o mundo oferece, 
Mas escolho os passos com que os percorro. 
Cada linha que escrevo me recorda 
Que a virtude vale mais que os aplausos 
E a serenidade mais que a vitória. 
 
Se a dor chega, recebe-a como mestra; 
Se a alegria vem, acolhe-a sem apego. 
Nenhuma delas permanece para sempre. 
Como as estações que sucedem umas às outras, 
Tudo cumpre seu tempo e segue adiante. 
 
Por isso escrevo com mão tranquila, 
Sem exigir da vida aquilo que ela não promete. 
Basta-me cultivar um espírito firme, 
Habitar o presente com dignidade 
E permanecer inteiro diante do destino. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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