Pois sei que tudo passa e se transforma.
Escrevo para ordenar a alma inquieta,
E aprender, entre as palavras, a aceitar
Aquilo que não está sob meu domínio.
Quando a tempestade visita meus dias,
Procuro não maldizer os ventos que sopram.
Faço da escrita um exercício de clareza,
Onde os fatos encontram seu lugar
E as emoções aprendem a obedecer à razão.
Não escolho os caminhos que o mundo oferece,
Mas escolho os passos com que os percorro.
Cada linha que escrevo me recorda
Que a virtude vale mais que os aplausos
E a serenidade mais que a vitória.
Se a dor chega, recebe-a como mestra;
Se a alegria vem, acolhe-a sem apego.
Nenhuma delas permanece para sempre.
Como as estações que sucedem umas às outras,
Tudo cumpre seu tempo e segue adiante.
Por isso escrevo com mão tranquila,
Sem exigir da vida aquilo que ela não promete.
Basta-me cultivar um espírito firme,
Habitar o presente com dignidade
E permanecer inteiro diante do destino.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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