Entre sombras que também me habitam;
Procuro um sentido além de mim,
Mas encontro apenas perguntas
Sentadas à beira do caminho.
O céu permanece em silêncio,
Indiferente às minhas inquietações;
E, no entanto, algo me chama
Das profundezas do vazio
Que carrego sob o peito.
Quem sabe Deus não esteja nas respostas,
Mas na sede que nunca se apaga;
Na busca que desafia a noite,
Na dúvida que persiste
Quando todas as certezas ruem.
Vejo revelações dispersas no mundo,
Mas nenhuma se deixa possuir;
São lampejos breves de significado
Que surgem e desaparecem
Como reflexos sobre a água.
E sigo adiante, incompleto e mortal,
Sem alcançar o segredo definitivo;
O mistério é justamente este
Continuar procurando sentido
Em um universo que permanece aberto.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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