quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Incompleto e mortal

 Caminho por estradas que não escolhi, 
Entre sombras que também me habitam; 
Procuro um sentido além de mim, 
Mas encontro apenas perguntas 
Sentadas à beira do caminho. 
 
O céu permanece em silêncio, 
Indiferente às minhas inquietações; 
E, no entanto, algo me chama 
Das profundezas do vazio 
Que carrego sob o peito. 
 
Quem sabe Deus não esteja nas respostas, 
Mas na sede que nunca se apaga; 
Na busca que desafia a noite, 
Na dúvida que persiste 
Quando todas as certezas ruem. 
 
Vejo revelações dispersas no mundo, 
Mas nenhuma se deixa possuir; 
São lampejos breves de significado 
Que surgem e desaparecem 
Como reflexos sobre a água. 
 
E sigo adiante, incompleto e mortal, 
Sem alcançar o segredo definitivo; 
O mistério é justamente este 
Continuar procurando sentido 
Em um universo que permanece aberto. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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