terça-feira, 4 de março de 2025

Havia coisas que eu deveria ter dito

Havia palavras que moravam no coração, 
Mas nunca ousaram sair. 
Medo, orgulho ou tempo errado, 
Não sei dizer, só sei sentir. 
 
Eu deveria ter dito "fica", 
Quando vi você partir. 
Ter sussurrado um "eu te amo", 
Antes de te ver sumir. 
 
Havia promessas guardadas, 
Que o silêncio fez ruir. 
Tantas frases aprisionadas, 
Tantos gestos por cumprir. 
 
Se eu pudesse voltar no tempo, 
Desfazer cada omissão, 
Diria tudo o que não disse, sem receio, 
Com a voz do coração. 
 
Mas palavras não ditas pesam, 
Como sombra sobre o peito ferido. 
E hoje só restam os ecos, 
Do que sempre foi, no peito, sentido. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 3 de março de 2025

Quando um coração solitário se quebra

No silêncio de um quarto vazio, 
Ecoam memórias de um tempo fugaz. 
O vento sussurra um nome tardio, 
Mas ninguém responde — ninguém mais. 
 
Os dias desfilam em sombras pálidas, 
Frágeis como vidro prestes a ruir. 
O peito aperta, as noites são cálidas, 
Mas dentro, só há frio a existir. 
 
As promessas, outrora tão belas, 
Hoje são cinzas levadas ao chão. 
E o coração, que pulsava sob as estrelas, 
Se perde em ecos de escuridão. 
 
Quebra-se enfim, sem som, sem alarde, 
Como um suspiro que o tempo desfaz. 
Pois nada mais resta, só a saudade, 
E um coração que já não bate mais. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 2 de março de 2025

Não és mais inspiração

Você já não inspira esse poeta sonhador, 
Suas palavras, antes nuvens, já não têm cor. 
O verso que dançava ao toque do seu olhar, 
Hoje é silêncio que não mais quer rimar. 
 
As rimas que antes fluíam tão livres, 
Agora se perdem em ecos frágeis e tristes. 
O encanto partiu sem deixar um adeus, 
Levando consigo todos os sonhos meus. 
 
Já não há estrelas guiando o poema, 
Nem brisa suave soprando o dilema. 
O encanto morreu sem sequer hesitar, 
Deixando no peito um imenso vazio no lugar. 
 
Se outrora foste musa, um lume, um calor, 
Hoje és lembrança sem rastro, sem cor. 
Você já não inspira esse poeta sonhador, 
Que escreve sem alma, sem rima, sem amor. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 1 de março de 2025

Selvagem imaginação

Os herdeiros dos tormentos clandestinos 
Gritam rock’n’roll nas ruas 
E declamam segredos para ouvidos surdos 
Onde os pássaros são silenciados 
E tapetes peçonhentos voam do chão 
Carregando criaturas que se deitam 
Tentando esconder dos olhares humanos. 
 
A voz dos que perderam alguém se cala 
E se escondem nos ares do esquecimento 
Pessoas andam vagando como perdidas 
Nas ruas de ilusões fantasmagóricas 
E sangue dos anciões são derramados 
Diante dos calafrios iminentes 
De todos os que não sabem o que é viver. 
 
Existem certos temores noturnos 
Ecoado nos corações humanos 
Que não temos condições de revelar 
São mistérios escondidos secretamente 
Há milhares e milhares de anos 
Desde quando andavam em pequenos bandos 
Procurando abrigos nas cavernas. 
 
 Para pesadelo dos artistas 
Existiam os demônios da criação 
Que perturbavam o horror da imaginação 
Mesmo quando podiam ouvir o silêncio 
No colorido do céu infinito 
Antes do sol se esconder definitivamente 
Por detrás das montanhas distantes. 
 
Sem saber o que era criação ou paranoia 
A imaginação deles era selvagem 
Como são selvagens a fúria e a indolência 
Dos que caminham na escuridão 
E não sabem até onde podem aguentar 
O barulho das máquinas e luzes de neon 
Que moldaram a sociedade contemporânea. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Há sempre mãos estendidas

Há sempre mãos estendidas, vazias, 
Na esquina fria de um mundo sem cor, 
Olhos que pedem, lábios que imploram, 
Um pouco de afeto, um gesto de amor. 
 
Há sempre fome que o tempo não cala, 
Barrigas vazias, promessas ao chão, 
Enquanto a mesa de alguns transborda, 
Outros estendem as mãos por um pedaço de pão. 
 
Há sempre sombras nas ruas desertas, 
Vidas perdidas na escuridão, 
E mesmo entre rostos que passam apressados, 
Alguém suplica, sem voz, sem razão. 
 
Mas há também mãos que oferecem, 
Que semeiam afeto em meio à dor, 
Pão repartido, calor que renasce, 
Pequenos gestos que provam o amor. 
 
Que nunca nos falte essa chama acesa, 
Que nunca sejamos aqueles que vão 
Sem ver que há sempre, no meio da estrada, 
Mãos estendidas à procura de pão. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Sou o que sou

Sou o que sou, 
Porque mais ninguém sabe 
O que é viver apenas do silêncio. 
No vazio das palavras não ditas, 
Nas pausas que gritam verdades, 
No eco dos pensamentos soltos 
— Aí eu existo. 
 
Sou feito de murmúrios calados, 
De gestos que falam por mim. 
O vento me entende, 
A lua me observa, 
As sombras me acolhem 
Quando a voz não cabe 
No peito que pulsa sozinho. 
 
Ninguém sente o peso do nada 
Como quem faz do silêncio abrigo. 
Ninguém ouve o som do invisível 
Como quem aprendeu a escutar 
A ausência do mundo. 
 
Sou o que sou, 
Feito de brisa e neblina, 
De palavras que nunca nasceram. 
E talvez, no fim, 
O silêncio seja a única voz 
Que sempre me pertenceu. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

A terra é só a terra

 A terra é só a terra, 
Um punhado de poeira 
Girando no escuro, 
Sem pressa, sem culpa, 
Sem saber que existo. 
 
Eu penso nisso vezes demais. 
No peso invisível do tempo, 
Nas raízes que racham o chão, 
Na chuva que molha e some, 
No vento que passa sem nome. 
 
A terra é só a terra, 
E eu sou só alguém 
Que olha pra ela e se pergunta 
Se há sentido ou se há nada, 
Se sou raiz ou se sou poeira 
Girando no escuro também. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

A saudade que já não sinto mais

 A saudade que eu já senti, 
Hoje se desfez como névoa no ar, 
Não há mais eco do que perdi, 
A dor se foi, 
Não sou mais o mesmo neste lugar. 
 
O tempo curou as marcas, os ais, 
O vazio antes imenso se preencheu, 
Aprendi a viver sem os antigos finais, 
E o que era sombra, 
Agora é luz que se acendeu. 
 
Já não sou prisioneiro de um passado distante, 
As lembranças são apenas uma tela, 
Onde o retrato se esmaece, mas é constante, 
E a saudade se foi, 
Como quem nunca se revela. 
 
Hoje eu respiro em paz, sem a falta, 
Sem a ansiedade de um amor que se perdeu, 
A saudade, que um dia foi exata, 
Agora se dissolve em silêncio, 
Do amor que tristemente morreu. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Eu queria te dizer

 Eu queria te dizer que te amo em uma canção, 
Com versos suaves, com rima e emoção. 
Queria que as notas falassem por mim, 
Que a melodia contasse o que sinto, enfim. 
 
Cada acorde seria um toque do coração, 
Cada estrofe, um suspiro em sua direção. 
E no refrão, eu gritaria ao vento, 
Que és meu amor, meu maior sentimento. 
 
Se as palavras falharem, que a música traduza, 
Que o som dos acordes no peito te seduza. 
Pois tudo que quero é te fazer sentir, 
Que meu amor por ti jamais há de sumir. 
 
Então feche os olhos e ouça com calma, 
Essa canção que nasceu da minha alma. 
Pois nela há um segredo guardado, enfim: 
Eu sempre te amei e te quero pra mim. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Caminho sem espinhos

 Você me levou por caminhos floridos, 
Tirando os espinhos, ajudando-me a sonhar. 
Com passos suaves e muita luz no coração, 
Fez do impossível um novo caminhar. 
 
Nos dias nublados, foi sol reluzente, 
Nos ventos incertos, brisa envolvente. 
Cada tropeço virou aprendizado, 
Com você ao meu lado, tudo é sagrado. 
 
Se antes a estrada era cheia de dor, 
Hoje ela brilha com seu singelo amor. 
Pois seu carinho, doce e sereno, 
Fez do meu destino, um laço eterno. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 23 de fevereiro de 2025

Mil noites de amor

Mil noites de amor tenho para te ofertar, 
Como estrelas que dançam no céu mensurado. 
Cada suspiro é um verso dito ao coração, 
Cada beijo, um sonho singelo eternizado. 
 
Teu olhar é a lua que vem me guiar, 
Nas marés desse amor que insiste em crescer. 
Nos lençóis do tempo bordamos promessas, 
Juras eternas, carícias impressas no viver. 
 
Se mil noites tivermos, mil vezes direi, 
Que em teus braços, amor, sempre quero estar. 
E quando a aurora enfim nos iluminar, 
Terei mil e uma noites para te ofertar. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Passageiro da solidão

 Eu a vi de mãos dadas com outro amor, 
O riso leve, o olhar de quem sobreviveu. 
Um dia, esse brilho era para mim, 
Hoje é dele, e o tempo correu. 
 
O vento tocou seus cabelos, tão belos, 
E eu, na sombra, fiquei sem sua luz. 
Os passos dela já não me procuram, 
Mas seu rastro em mim ainda reluz. 
 
Ele a segura como quem tem tudo, 
E eu sou só um eco mudo de saudade. 
Não há mágoa, talvez só as lembranças, 
De um sonho que foi e não volta à realidade. 
 
Que seja feliz, murmuro ao vento, 
Mas levo comigo essa dor no coração. 
Pois amei como quem se entrega inteiro, 
E hoje sou só um passageiro da solidão. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Veneno de escorpião

Teu amor tem veneno na ponta da língua, 
Um beijo que arde mais que fel e traição. 
Invade minha pele, se infiltra nas veias, 
Ferida que pulsa sem salvação. 
 
Teus olhos são âncoras, fundo no abismo, 
Me prendem em laços de pura ilusão. 
Cada promessa, veneno destilado, 
Gota por gota, me afoga em paixão. 
 
Teu toque queima, mas nunca aquece, 
É lâmina fria, cortando em profusão. 
E mesmo sabendo que mata aos poucos, 
Eu volto e imploro: me fere então. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Quando não sei expressar

Às vezes as palavras se perdem no ar, 
E o silêncio se faz um peso no lugar. 
O que sinto é tão forte, 
Mas não sei expressar, 
E me encontro em um labirinto 
Sem saída pra caminhar. 
 
Tento falar, mas o eco me impede de dizer, 
Tudo que posso é esperar 
Que a alma possa viver. 
O que dizer quando o coração não sabe explicar? 
Apenas o vazio de uma palavra 
Que não sei como falar. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

A solidão

A solidão é sombra fria, 
Que mora dentro da alma vazia. 
Caminha silenciosa e serena, 
Como estrela que se vê pequena. 
 
No silêncio, ela canta a dor, 
Sussurrando segredos de um amor, 
Perdido no tempo, sem voz, 
Preso no eco de um velho fado, após. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense