quarta-feira, 4 de março de 2026

O homem contemporâneo

 O homem contemporâneo 
Caminha por corredores invisíveis. 
Não há paredes, mas há pressa. 
Não há portas, mas há metas. 
E mesmo assim, 
Ele sente que está sempre atrasado. 
 
Corre atrás de números, 
Metas, notificações, 
Promessas de felicidade em parcelas pequenas. 
Acredita que o próximo reconhecimento será a chave, 
Que o próximo aplauso o fará finalmente descansar. 
Mas quando chega lá, o corredor continua. 
 
Há algo estranho 
Na arquitetura do nosso tempo: 
Quanto mais caminhos surgem, 
Menos sabemos para onde estamos indo. 
 
O prazer é imediato, 
Mas a alegria demora a chegar. 
O reconhecimento é público, 
Mas o vazio permanece íntimo. 
 
O homem contemporâneo 
Aprendeu a produzir sem parar, 
Mas esqueceu de habitar a própria alma. 
Aprendeu a responder mensagens, 
Mas desaprendeu a escutar o silêncio. 
 
E assim ele corre, 
Não porque sabe para onde vai, 
Mas porque teme parar 
E descobrir que se perdeu de si mesmo. 
 
Creio que a verdadeira saída 
Desses corredores invisíveis 
Não esteja em correr mais rápido, 
Mas em parar no meio do caminho, 
Encostar a cabeça no próprio silêncio 
E perguntar, com coragem: 
“Em que momento eu deixei de caminhar 
E comecei apenas a fugir?” 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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