Caminha por corredores invisíveis.
Não há paredes, mas há pressa.
Não há portas, mas há metas.
E mesmo assim,
Ele sente que está sempre atrasado.
Corre atrás de números,
Metas, notificações,
Promessas de felicidade em parcelas pequenas.
Acredita que o próximo reconhecimento será a chave,
Que o próximo aplauso o fará finalmente descansar.
Mas quando chega lá, o corredor continua.
Há algo estranho
Na arquitetura do nosso tempo:
Quanto mais caminhos surgem,
Menos sabemos para onde estamos indo.
O prazer é imediato,
Mas a alegria demora a chegar.
O reconhecimento é público,
Mas o vazio permanece íntimo.
O homem contemporâneo
Aprendeu a produzir sem parar,
Mas esqueceu de habitar a própria alma.
Aprendeu a responder mensagens,
Mas desaprendeu a escutar o silêncio.
E assim ele corre,
Não porque sabe para onde vai,
Mas porque teme parar
E descobrir que se perdeu de si mesmo.
Creio que a verdadeira saída
Desses corredores invisíveis
Não esteja em correr mais rápido,
Mas em parar no meio do caminho,
Encostar a cabeça no próprio silêncio
E perguntar, com coragem:
“Em que momento eu deixei de caminhar
E comecei apenas a fugir?”
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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